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Um lugar para chamar de meu. Meu sítio virtual. Meu cadinho.

Lugar de gritos e sussurros. Pedaço de mim.

'Onde eu possa juntar meus amigos, meus discos e livros...'

sexta-feira, 6 de abril de 2012

quem é o algoz?

a roupa já não me cabe.
cresceram em mim afetos inimaginados.
morreram antigas paixões.

'quem é o algoz?'

é pergunta repetida à esmo,
é coisa sem solução.

qual é, em mim, a pele que eu habito?

qual?
há pele habitada em mim
ou só há essa ausência que preenche tudo?

'quem é o algoz?'

pergunta meu coração,
quem me abate?

'coso o couro,

mas não coso o corpo'...
cantilena de coxia.

ladainha repetida

pela mãe, de agulha em punho,
dando um jeitinho na roupa"nova" 
que a prima não usa mais...

coso o couro.

costuro vozes que cantam
pr'eu dormir.

saudades de quando era pequena

e a felicidade tinha gosto,
e cheiro, de pizza de muzzarela.

2 comentários:

  1. Adorei, flor!

    Saudades... Nem sempre gosto de sentir, principalmente quando dói...

    Beijão!

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  2. Não a chamo "Flor" - vocativo bonito usado pela Carol. Chamo-a "Universo, Canto, Reverso", ou qualquer outro vocativo, que todos me convêm. Chamo-a "Alexandra Amélia", para dizer-lhe que nos construímos até os oito anos; depois é só complemento. Substantivos e verbos se estruturam na infância e passamos o resto de nossas vidas com os complementos e adjuntos. Eles é que mais machucam. Mas a essência mesmo é aquela garotinha serelepe louca por pitsa de muçarela...

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