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Um lugar para chamar de meu. Meu sítio virtual. Meu cadinho.

Lugar de gritos e sussurros. Pedaço de mim.

'Onde eu possa juntar meus amigos, meus discos e livros...'

sexta-feira, 2 de março de 2012

uma mulher olhando o mar

porque eu sou uma mulher olhando o mar
porque eu sou um mar em forma de mulher
porque o mar e eu somos um
porque eu sou sal e areia


e porque há o mar
há o mar dentro de mim
há o mar em volta de mim
há o mar mergulhado em mim


e porque as ondas me lambem as pernas
me molham as coxas
me esquentam
me varrem
me levam


e porque eu sou uma mulher olhando o mar
e porque o mar me olha;

hoje

é porque hoje eu voltei um pouco mais, um pouco mais pra dentro de mim, olhei meus avessos, arrumei a costura, pespontei a bainha, me vi de novo.
soltei alguns poemas que agora brincam no caderno sobre a mesa, ouvi as canções que me fazem ser quem sou.
é porque, hoje, eu me fiz caber no incabível!!

de dentro pra fora

de dentro.
do fundo,
da última gavetinha,
escondidinho.


tive que remexer nos guardados,
sacudir a alma,
virar do avesso,
e descobrir que é assim,
de dentro,
que eu me mostro.


hoje juntei receita pra soltar poema preso,
com doses cavalares de lira clariceana,
abri meus baús, me espantei
e me espanei
e me varri
e me achei.


esta sou eu,
esta que se rasga de amor,
que se faz de forte,
que ficou amiga da morte,
que se acha por dentro,
que tem medo, mas não se cala.


esta sou eu,
esta que costura avessos,
que faz ponto e pesponto,
e flores de chita,
e roda saia
e canta
e dança
e grita.


prazer.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

dor

são tantas injustiças, tantos descasos,


crianças morreram em pinheirinhos
e o povo discute o big brother.


um jovem foi espancado na ilha do governador,
para defender um morador de rua,
e o povo assiste mulheres ricas.


índios são expulsos de suas terras,
e o povo  vê novela.


pastores gritam que urucum é bosta do diabo,
e o povo vê tv xuxa.


três prédio desabam no centro do rio de janeiro,
e o povo lê caras.


o governo tenta fechar as escolas especializadas,
e o povo defende piadas sobre deficientes.


é, se continuar assim, vou ter certeza de que os maias acertaram a previsão.
o mundo está mesmo agonizando!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

sem título XXIX

é tanto amor,
tanto,
que os mares
se levantam,
e os ventos cantam,
e o sol alumia e faz brilhar.


é tanto amor,
tanto,
que nem os deuses
ousam calar,
música.


silêncio.
palavra.
casa.
amor.
música.

de barriga cheia

' e recomeçar era a tarefa mais repetida do mundo."
de novo. novamente.
'e sempre só'.
só?
e os outros?
nossos habitantes mais profundos?
que fazemos deles?

não. nunca só.
somos múltiplos. plurais.
eu, eu mesma.
a outra.
'esta ou aquela.
pouco importa'.

recomeçar é tarefa?
condição?
carma?
sísifo.
prometeu.
jason.
eu.

recomeçar mais um pouco
e mais um pouco
e sempre,
e foda-se!!

raimundo é rima.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

sem título XXVIII

há o sol.
e há o céu
e a terra
e eu.


e eu,
na terra,
espero ansiosamente
pelos raios do sol.


quero sentir seus dedos finos
me roçando a pele.
cócegas.
frisson.


(um suspiro profundo)


e o sol,
quem diria,
me espera abrir a janela
pra brilhar.


e a terra
espera que eu dance
e rode
e gire
e cante
pra poder dançar
comigo.


e juntos,
nós
- eu
e o sol
e a terra -
e os elefantes,
dançamos!

domingo, 1 de janeiro de 2012

há dias que venho enrolando alguns fios de pensamento, trançando idéias, cozendo dúvidas...
quem sabe quando tudo terminar, eu coloque minha colcha de retalhos no sofá, acenda um incenso e deite pra ver o sol.