Fernanda Montenegro
Viagem ao outro – sobre a arte do ator. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura,
Fundação Nacional de Artes Cênicas, 1988, p. 40-41
Acho que sou uma atriz convencional, porque sempre tive fascínio pela possibilidade de interpretar personagens, de tentar ser outro, de me enfronhar no outro, de buscar o outro. Pode parecer uma conversa de atrizona que vê a vida em termos de papéis, mas quero dizer que sou uma atriz que gosta de representar personagens, sim. Eu gosto de fazer papéis, sim. E compreendo que todos os papéis são fundamentais em um espetáculo. Essa é a minha convenção de atriz, e é a partir dela que posso dar o meu depoimento, que é o deste momento, em que ainda estou viva, porque não sei o que será o teatro daqui a trinta anos. E estou falando para aqueles que querem fazer não uma carreira, porque essa palavra está muito deturpada, mas uma vida de intérprete. Falo de atores para atores.
Minha posição dentro do conjunto de trabalho não é a única, mas é a minha maneira de ser. Pertenço a uma geração não-romântica no sentido do divismo, do grande astro e sua corte, da grande dama com sua corte, da vedete com vocação solista. Não gosto de intérprete que só trabalha quando o centro do palco é seu, quando a melhor luz é a sua e quando há um elenco que não perturba e não divide. Odeio elencos subservientes, atores servis. Amo trabalhar com colegas potentes, que entendam a harmonia de uma cena e contribuam com a sua força de intérpretes, participando da festa, do ritual, livres da competição burra e destruidora. (...) Nesse exercício, nessa busca constante de integração com o elenco e de harmonia com o diretor, minha posição é de atendimento, de dedicação e de assumir o meu posto. Como intérprete, eu me eduquei. Adquiri esse temperamento de ouvir o outro. Como é que se pode ser ator sem aprender a ouvir? Acho que é fundamental trabalhar ouvindo pessoas que às vezes ainda não estão preparadas técnica e intelectualmente, mas estão ali e têm uma opinião.
Minha maneira de ser atriz é por meio da minha definitiva ligação com o palco. Tenho uma total cumplicidade com o palco. Eu nem sei se é com o teatro. É com o palco. (...) O palco é a continuidade da minha casa, da minha vida. É o espaço do espetáculo que me interessa. Não penso em dirigir, não penso em cargos públicos e não sei como eu seria sem a força do espaço de atuação mesmo. E é por isso quesinto essa necessidade de ampliar o palco até lá fora. Derrubar a linha divisória ator-espectador. Eu não gosto do ator miudinho, que fica no cantinho, fazendo o seu codigozinho. O teatro é também uma realização de caráter social. Todos nós sabemos disso. Sou um tipo de atriz que faz os espetáculos convocando, instigando ou solicitando à platéia que venha junto. Eu não sou de quarta parede. O teatro é uma coisa tão boa, um espetáculo solidamente realizado é um acontecimento tão bonito, tão rico, tão cheio de sonho e plenitude, que tenho imenso prazer em convidar a platéia para essa festa, numa cumplicidade muito grande. Como se eu estendesse a minha mão, buscando as mãos dos espectadores. Não quero dizer com isso que eu cortejo o público. Não é isso,não. Muito pelo contrário.
Páginas
Um lugar para chamar de meu. Meu sítio virtual. Meu cadinho.
Lugar de gritos e sussurros. Pedaço de mim.
'Onde eu possa juntar meus amigos, meus discos e livros...'
Mostrando postagens com marcador afeto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador afeto. Mostrar todas as postagens
domingo, 5 de setembro de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Sei lá, mil coisas!
Lembro do som da sua voz. Foi como se o tempo parasse para que pudesse ouvir. Fez-se silêncio e tudo o que havia era sua voz e o violão. Então eu te vi. Sentado na frente do teatro novo, e nada mais fazia sentido, e tudo era menos importante e tudo fazia sentido. Só existia você, o violão e uma certeza que ali era o meu porto.
Foi nesse momento que eu soube que era sua e tive certeza que você seria meu. Lembro do sorriso de garanhão italiano. E então veio a corte. Nos exibimos um para o outro, abrimos nossas caudas, nos mostramos. Primeiro nos demos as mãos e cada vez que sua mão encostava-se à minha, meu peito parecia que ia explodir!
E então veio o beijo. O primeiro. E eu soube, ali, naquele momento dentro do teatro, que minha vida era sua. Que meu corpo era seu. E que tudo o que havia vivido antes era só um ensaio. Soube, ali, naquele momento, que você era a minha estréia. Sei lá, mil coisas!!
E agora, enquanto escrevo, minhas pernas tremem como tremiam antes, meu coração pula e tenta sair do peito para te encontrar. E te espera. E te deseja como desejava há dezoito anos.
O quê eu posso dizer mais? Apenas posso agradecer aos deuses do teatro por terem me levado até você.
Pra você:
Não deveria se chamar amor
Paulinho Moska
O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme a que nunca assisti antes
Poderia se chamar la-bi-rin-to
Porque sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar a u r or a
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer: aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo
Amo. Simplesmente!!
Foi nesse momento que eu soube que era sua e tive certeza que você seria meu. Lembro do sorriso de garanhão italiano. E então veio a corte. Nos exibimos um para o outro, abrimos nossas caudas, nos mostramos. Primeiro nos demos as mãos e cada vez que sua mão encostava-se à minha, meu peito parecia que ia explodir!
E então veio o beijo. O primeiro. E eu soube, ali, naquele momento dentro do teatro, que minha vida era sua. Que meu corpo era seu. E que tudo o que havia vivido antes era só um ensaio. Soube, ali, naquele momento, que você era a minha estréia. Sei lá, mil coisas!!
E agora, enquanto escrevo, minhas pernas tremem como tremiam antes, meu coração pula e tenta sair do peito para te encontrar. E te espera. E te deseja como desejava há dezoito anos.
O quê eu posso dizer mais? Apenas posso agradecer aos deuses do teatro por terem me levado até você.
Pra você:
Não deveria se chamar amor
Paulinho Moska
O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Porque muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme a que nunca assisti antes
Poderia se chamar la-bi-rin-to
Porque sinto que não conseguirei escapulir
Poderia se chamar a u r or a
Pois vejo um novo dia que está por vir
Poderia se chamar abismo
Pois é certo que ele não tem fim
Poderia se chamar horizonte
Que parece linha reta mas sei que não é assim
Poderia se chamar primeiro beijo
Porque não lembro mais do meu passado
Poderia se chamar último adeus
Que meu antigo futuro foi abandonado
Poderia se chamar universo
Porque sei que não o conhecerei por inteiro
Poderia se chamar palavra louca
Que na verdade quer dizer: aventureiro
Poderia se chamar silêncio
Porque minha dor é calada e meu desejo é mudo
E poderia simplesmente não se chamar
Para não significar nada e dar sentido a tudo
Amo. Simplesmente!!
Assinar:
Postagens (Atom)